31/01/2012

Ilusionismo: a TV faz é como o mágico que distrai o público com o lenço enquanto tira o pombo da cartola


A maioria dos brasileiros só se informa pela televisão e, quase sempre, fica mal informada. Todos os dias as emissoras selecionam e transmitem inúmeras notícias, mas o que não bate com seus interesses comerciais e políticos fica de fora. A desinformação, no entanto, acontece também no que é mostrado. As notícias veiculadas são organizadas e editadas segundo esses mesmos interesses.

Há dois exemplos significativos. Um, de mais de 20 anos, só agora revelado. Trata-se do famoso debate Lula-Collor de 1989. Sabia-se que ele havia sido editado para ser exibido no Jornal Nacional, de modo a ressaltar os melhores momentos de Collor e os piores de Lula. Sua exibição, dessa forma, às vésperas das eleições, influenciou um grande número de eleitores, conforme mostraram pesquisas na época.

A Celac definiu como um dos seus princípios básicos a defesa das democracias nos países-membros.  Alguém soube disso através da TV?
 
A manipulação, no entanto, não ficou só aí. José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, um dos principais executivos da Globo naquela ocasião, revelou em seu livro recém-lançado a dimensão real do episódio. O debate não foi manipulado apenas na edição levada ao ar. Os truques começaram bem antes, uma vez que, segundo o próprio Boni, a emissora “tomou partido” e “produziu” o debate para beneficiar o ex-governador alagoano.

“Eu achei que a briga do Collor com o Lula nos debates estava desigual, porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade. Então, nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor, com uma glicerinazinha, e colocamos as pastas todas que estavam ali, com supostas denúncias contra o Lula. Mas as pastas estavam inteiramente vazias ou com papéis em branco”, revelou Boni.

Se você acha que isso é coisa do passado e não acontece mais, está enganado. Em dezembro, ocorreu em Caracas, na Venezuela, um fato capaz de dar à América Latina e ao Caribe a primeira oportunidade real de romper com as dominações externas mantidas sobre o continente há mais de 500 anos. Foi criada a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), reunindo 33 países da região, deixando de fora os Estados Unidos e o Canadá, que sempre dominaram a Organização dos Estados Americanos (OEA), até então o principal organismo multilateral do continente, chamada com muita propriedade de “ministério das colônias” pelo então presidente de Cuba, Fidel Castro.

Trata-se de um grito de libertação dos países situados ao sul dos Estados Unidos. Dois séculos depois do rompimento dessas nações com as metrópoles espanhola e portuguesa, dá-se continuidade a uma luta conjunta em busca da autodeterminação política e econômica, livre das imposições dos impérios modernos.
A Celac definiu como um dos seus princípios básicos a defesa das democracias nos países-membros. Se em algum deles a ordem institucional for rompida, a expulsão é imediata. A medida busca evitar a repetição de fatos recentes como o golpe de Estado que depôs o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, em 2009, e a tentativa frustrada de tomar o poder pela força no Equador, em setembro de 2010.

Alguém soube disso através da TV? Não que a televisão brasileira não estivesse lá. Estava, mas não para mostrar a dimensão histórica do que ocorria em Caracas. Tudo que era importante foi escondido e, para não perder a viagem, o Jornal Nacional colocou no ar o questionamento feito à presidenta Dilma Rousseff sobre uma declaração de amor feita a ela, no Brasil, por um ministro em vias de demissão. Surpresa, Dilma foi gentil e respondeu à pergunta descabida e fora de lugar. Ao telespectador restou receber uma informação supérflua em prejuízo do essencial.

O caso revela que as distorções ocorridas em torno do debate presidencial de 1989 não são exceções. Ao contrário, trata-se de uma prática comum, embora menos perceptível. A TV acaba fazendo como o mágico, que chama a atenção para o lenço enquanto, sem o público perceber, tira o pombo da cartola, na feliz imagem do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Infelizmente, assistimos a essa mágica todos os dias no telejornalismo brasileiro.

Por Lalo Leal

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Quase 10 milhões de brasileiros acessaram Blogs em 2007

Quase 10 milhões de pessoas acessaram e leram blogs no Brasil, de acordo com dados do Ibope/NetRatings de dezembro de 2007, o que representa 45% do número de internautas ativos no mês.

Para ser mais exato: 9,6 milhões de pessoas acessaram blogs, majoritariamente os que usam as ferramentas de publicação Blogger e Wordpress. Boa notícia? Depende do ângulo que você analise.

Para se ter uma idéia, em dezembro de 2006, aproximadamente 7 milhões de pessoas acessavam blogs na internet brasileira de suas casas. Em um ano, a expansão é de 37%. É um senhor crescimento, embora não seja um espetáculo.

Comparando com o crescimento do número de internautas ativos no mesmo período, o número de pessoas que acessam blogs foi menor. O número de internautas ativos cresceu 49% em 2007, atingido 20,4 milhões de pessoas.

Destaque, diz o Ibope, para as ferramentas Blogger que atingiu 33% das pessoas que acessaram a internet em dezembro (há um ano, 20%) e para o Wordpress, com 13% (há um ano, 3,4%).

“Houve o crescimento exuberante da internet residencial, com novas pessoas trazendo novos hábitos de navegação”, avalia José Calazans, analista de mídia do Ibope/NetRatings.

Para se ter uma idéia, o Brasil cresceu, em número de internautas mensais, mais do que os Estados Unidos (2,2%), França (14%), Espanha (11%) e Japão (8,5%).

Em números absolutos, o Brasil ganhou novos 7 milhões de usuários residenciais mensais, enquanto EUA ganharam 4,8 milhões, França, 4,5 milhões, Japão, 5,5 milhões e Espanha, 3 milhões.

“Boa parte dos novos usuários, com destaque para os adolescentes, provavelmente navegavam em Lan Houses e, com tempo limitado, tinham uma navegação mais objetiva, consultando e-mail e atualizando perfis em comunidades”, acredita Calazans.

Além disso, outra grande parte dos novos usuários, que são os perfis que mais cresceram, são crianças e idosos, que são justamente as pessoas que menos fazem uso de buscadores e portanto acabam caindo menos em blogs.

Fonte: Fenadados