06/02/2012

“A reitoria da USP é uma organização criminosa”, diz Paulo Arantes

A classe docente da USP parece não se surpreender mesmo com o esquema de espionagem de alunos e funcionários, agora foi a vez do professor aposentado do Departamento de Filosofia, Paulo Arantes, fazer sua avaliação sobre o caso. “É curioso, mas totalmente coerente com as medidas até agora implantadas pelo reitor João Grandino Rodas. A reitoria da universidade hoje, toda ela, não só o Rodas, é uma organização criminosa. Tem muito mais coisa a se averiguar”, revela o filósofo.

"Pouco importa a violência, o que importa é que nenhuma vidraça tenha sido quebrada", diz Paulo Arantes

Mesmo dizendo que o esquema de arapongagem surpreende pela ousadia de usar um tipo de estratégia da época da ditadura, Arantes indica por onde uma investigação deveria passar. “O grande problema hoje é saber o que acontece com o orçamento da USP, o que a reitoria faz com ele. A maior universidade do país nada em dinheiro, mas não contrata, não faz nada a não ser serviços de zeladoria dentro do campus. Por que isso?”, questiona. “O esquema da arapongagem é mais um elemento na luta contra a reitoria, pois evidencia mais uma de suas ferramentas, mas gostaria de ver uma investigação sobre o dinheiro”, completa ele.
Arantes até levanta a suspeita de que Rodas pudesse ter facilitado o acesso aos documentos que provam as espionagens. “Não sei como vocês (da Fórum) conseguiram esses documentos, mas não duvidaria que ele, de alguma maneira, tivesse facilitado que isso fosse encontrado. É mais uma provocação dele e o Rodas vive de provocar”, fala.

Para o filósofo não é novidade alguma que alunos e funcionários são constantemente fotografados durante assembleias, até porque, pelo número de pessoas presentes, fica difícil o controle. No entanto, ele alerta para quando as reuniões são menores. “Há grampos, e com isso tem que se tomar cuidado.”
Arantes diz que a sociedade hoje vive em uma “paranoia de segurança”, o que contribui e facilita ações, não só como as de Rodas, mas também outras como a operação na Cracolândia e no Pinheirinho. “Hoje, quem está no poder tem que dar uma satisfação sobre a segurança, mostrar serviço e que ele está zelando pelo bem comum. A questão é que, ao contrário dos tempos da ditadura, hoje não existe mais a chamada subversão, apenas propriedade privada. Quando dizem que estão perturbando a ordem, se referem apenas a ordem patrimonial”, afirma o professor. “Quem me dera fazer parte de um partido que realmente ameaçasse o capitalismo como alegam. Quanto a isso, nós estamos comendo poeira ainda”, fala ele, sobre as justificavas das ações policiais.

O filósofo continua dizendo que a polícia nada mais faz do que o seu papel na sociedade atual, que é o de vigiar, controlar e reprimir e que todos movimentos hoje, seja de quilombolas, sem teto, de camponeses ou indígenas, todos constantemente monitorados. “Desde quando a polícia foi criada, já era dito que ela atuaria à margem da lei e que toda ação policial seria um ato de exceção. Estão apenas continuando isso”, finaliza Arantes.

O que a USP diz

A reportagem  procurou a reitoria da Universidade de São Paulo para que pudesse responder às acusações do professor Paulo Arantes. Por meio de sua assessoria de imprensa, a reitoria nos enviou a seguinte nota:

“Anualmente, a Comissão de Orçamento e Patrimônio submete ao Conselho Uníversitário, órgão máximo da Instituição, a proposta de diretrizes para  aplicação dos recursos da USP no exercício seguinte. Essa proposta é baseada na análise da execução do orçamento vigente, nas informações e sugestões obtidas junto às Unidades de despesa da USP sobre suas necessidades específicas e nas contribuições dos membros do Conselho Universitário e dos órgãos da Administração da Universidade. As diretrizes orçamentárias tem como objetivo a destinação de recursos a atividades consideradas prioritárias para a realização dos objetivos da Univesidade, a modernização institucional, o desenvolvimento de novas atividades e o fortalecimento de sua inserção na sociedade. As diretrizes orçamentárias 2012, bem como a destinação do orçamento por áreas, estão disponíveis para o acesso público no site da Coordenadoria de Administração Geral (Codage), no endereço www.usp.br/codage.”

31/01/2012

Ilusionismo: a TV faz é como o mágico que distrai o público com o lenço enquanto tira o pombo da cartola


A maioria dos brasileiros só se informa pela televisão e, quase sempre, fica mal informada. Todos os dias as emissoras selecionam e transmitem inúmeras notícias, mas o que não bate com seus interesses comerciais e políticos fica de fora. A desinformação, no entanto, acontece também no que é mostrado. As notícias veiculadas são organizadas e editadas segundo esses mesmos interesses.

Há dois exemplos significativos. Um, de mais de 20 anos, só agora revelado. Trata-se do famoso debate Lula-Collor de 1989. Sabia-se que ele havia sido editado para ser exibido no Jornal Nacional, de modo a ressaltar os melhores momentos de Collor e os piores de Lula. Sua exibição, dessa forma, às vésperas das eleições, influenciou um grande número de eleitores, conforme mostraram pesquisas na época.

A Celac definiu como um dos seus princípios básicos a defesa das democracias nos países-membros.  Alguém soube disso através da TV?
 
A manipulação, no entanto, não ficou só aí. José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, um dos principais executivos da Globo naquela ocasião, revelou em seu livro recém-lançado a dimensão real do episódio. O debate não foi manipulado apenas na edição levada ao ar. Os truques começaram bem antes, uma vez que, segundo o próprio Boni, a emissora “tomou partido” e “produziu” o debate para beneficiar o ex-governador alagoano.

“Eu achei que a briga do Collor com o Lula nos debates estava desigual, porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade. Então, nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor, com uma glicerinazinha, e colocamos as pastas todas que estavam ali, com supostas denúncias contra o Lula. Mas as pastas estavam inteiramente vazias ou com papéis em branco”, revelou Boni.

Se você acha que isso é coisa do passado e não acontece mais, está enganado. Em dezembro, ocorreu em Caracas, na Venezuela, um fato capaz de dar à América Latina e ao Caribe a primeira oportunidade real de romper com as dominações externas mantidas sobre o continente há mais de 500 anos. Foi criada a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), reunindo 33 países da região, deixando de fora os Estados Unidos e o Canadá, que sempre dominaram a Organização dos Estados Americanos (OEA), até então o principal organismo multilateral do continente, chamada com muita propriedade de “ministério das colônias” pelo então presidente de Cuba, Fidel Castro.

Trata-se de um grito de libertação dos países situados ao sul dos Estados Unidos. Dois séculos depois do rompimento dessas nações com as metrópoles espanhola e portuguesa, dá-se continuidade a uma luta conjunta em busca da autodeterminação política e econômica, livre das imposições dos impérios modernos.
A Celac definiu como um dos seus princípios básicos a defesa das democracias nos países-membros. Se em algum deles a ordem institucional for rompida, a expulsão é imediata. A medida busca evitar a repetição de fatos recentes como o golpe de Estado que depôs o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, em 2009, e a tentativa frustrada de tomar o poder pela força no Equador, em setembro de 2010.

Alguém soube disso através da TV? Não que a televisão brasileira não estivesse lá. Estava, mas não para mostrar a dimensão histórica do que ocorria em Caracas. Tudo que era importante foi escondido e, para não perder a viagem, o Jornal Nacional colocou no ar o questionamento feito à presidenta Dilma Rousseff sobre uma declaração de amor feita a ela, no Brasil, por um ministro em vias de demissão. Surpresa, Dilma foi gentil e respondeu à pergunta descabida e fora de lugar. Ao telespectador restou receber uma informação supérflua em prejuízo do essencial.

O caso revela que as distorções ocorridas em torno do debate presidencial de 1989 não são exceções. Ao contrário, trata-se de uma prática comum, embora menos perceptível. A TV acaba fazendo como o mágico, que chama a atenção para o lenço enquanto, sem o público perceber, tira o pombo da cartola, na feliz imagem do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Infelizmente, assistimos a essa mágica todos os dias no telejornalismo brasileiro.

Por Lalo Leal

17/01/2012

Festival de extravagâncias: dondocas fúteis e milionárias afrontam milhões de brasileiros

De um lado, está uma minoria que possui os meios necessários para realizar todas as suas aspirações e desejos. De outro lado, invisíveis para os meios de comunicação e excluídos pelo sistema vigente, estão os indivíduos que levam uma existência deletéria, caracterizada por todo tipo de privação.

mulheres ricas band
O Brasil apresenta uma das piores distribuições de renda do planeta. Segundo estudo realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), nosso país tem o terceiro pior índice de desigualdade do mundo. Aproximadamente 10% da população concentra cerca de 44,5% da renda.

De acordo com o economista Celso Furtado (1920-2004), alguns hábitos da classe dominante podem explicar a vertiginosa disparidade social que impera no Brasil. A elite brasileira tem como padrões de consumo os países de renda bem mais elevada que o nosso. Assim, para sustentar esse alto padrão de consumo, é necessário que essa parcela da população concentre grande parte da riqueza gerada no país. Outra característica de nossa elite econômica é o seu caráter ostentatório. Não basta ser rico, é preciso demonstrar rotineiramente o seu status social através da exibição de bens materiais e imateriais (mansões, carros importados, roupas de grife, joias, possuir vários empregados e adotar certos hábitos e costumes).

Nos últimos anos essa elite econômica tem sido exaustivamente retratada nas principais telenovelas globais. Trama após trama, principalmente durante o horário nobre, milhões de telespectadores deparam com a exibição de um estilo de vida impossível de ser atingido pela esmagadora maioria da população. Como “pobre gosta é de luxo, quem gosta de miséria é intelectual” (lembrando a clássica frase de um carnavalesco); a TV Bandeirantes resolveu ir além da emissora da família Marinho e apresentou na segunda-feira (02/01) o programa Mulheres ricas, o reality show que acompanha o cotidiano de cinco milionárias – Val Marchiori, Narcisa Tamborindeguy, Brunete Fraccarolli, Lydia Sayeg e Débora Rodrigues.

“Eu sou amazing”

Val Marchiori – linda, loira, alta e magra, segundo definição da própria – é apresentadora, empresária e a mais nova emergente da alta sociedade paulistana. A rotina da oligofrênica milionária, sempre acompanhada do cabeleireiro e maquiador Dudinha, é dividida entre compras, eventos e apreciar bons champanhes (qualquer semelhança entre Dudinha e o personagem Clô, da novela Fina Estampa, não é mera coincidência).

Enquanto o brasileiro comum sonha com um transporte público de qualidade para que possa se deslocar de casa para o local de trabalho com o mínimo de conforto, a principal preocupação de Val é comprar um avião novo (preferencialmente que não faça escalas, pois ela odeia parar). Dinheiro não é problema para a apresentadora. Adquirir um avião de 30 milhões de reais é como comprar uma blusa nova.

Narcisa Cláudia Saldanha Tamborindeguy (“Saldanha da alta aristocracia portuguesa”, faz questão de ressaltar) é advogada, jornalista e autora de dois livros. “Eu sou amazing, fantástica, intensa. Devo ser tratada como uma pérola”, diz sem modéstia. A socialite é presença constante em revistas e programas de televisão sobre celebridades. Entre suas principais fontes de entretenimento estão viagens para a Europa e EUA, se divertir na piscina do Copacabana Palace e frequentar as festas mais badaladas da noite carioca.

Automóveis luxuosos

Brunete Fraccaroli é uma famosa arquiteta paulistana que não larga a cadela maltês, não fica sem água mineral Perrier e vive como uma verdadeira boneca (inclusive há uma boneca Barbie que leva o seu nome). “Nasci nos Jardins (região nobre da capital paulista) em uma família muito rica”, faz questão de frisar. Para a milionária, luxo é poder sair com a sua cadela Cissi no colo e poder ir trabalhar com ela. “Cissi é uma cachorrinha feliz, criada feito gente, com todo o amor do mundo, vive melhor que muita gente, infelizmente”, assevera. Realmente, o Brasil seria um país muito melhor se os seus pobres tivessem o mesmo padrão de vida da cadela Cissi.

Já Lydia Leão Sayeg é gemóloga e proprietária da famosa Joalheria Leão. “Eu nasci em um berço de ouro, literalmente”, salienta. Entre as extravagâncias da joalheira estão tomar banho com água mineral, alugar uma Ferrari para “dar uma voltinha”, colecionar vestidos Chanel e possuir dois seguranças pessoais; “coisas simples”, segundo ela. Lembrando o padrão de consumo da elite brasileira, segundo Lydia “o rico tem a obrigação de gastar, se o rico não gastar, o dinheiro não gira, se o dinheiro não girar, o pobre não ganha”.

Por sua vez, Débora Rodrigues é a única participante do programa a ter uma origem humilde. É filha de um caminhoneiro e de uma dona-de-casa. Já trabalhou como babá, frentista, motorista de ônibus de bóias-frias e de caminhão, recepcionista e secretária. “Eu não tinha dinheiro para comprar um fósforo”, relembra. Débora causou grande polêmica nos anos 90 ao deixar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e posar nua para uma famosa revista masculina. Posteriormente foi apresentadora no SBT. Atualmente é piloto de automobilismo e moradora de Alphaville, bairro nobre da Região Metropolitana de São Paulo. Como boa parte dos brasileiros que ascendem economicamente, a forma encontrada por Débora para legitimar a sua nova condição social é adquirir automóveis luxuosos.

Afronta a milhões de brasileiros

pobreza brasil lixo catadores criançasEm suma, o que se viu ao longo do primeiro episódio do reality show Mulheres ricas foi um festival de extravagâncias escalafobéticas. Ou seja, um retrato fiel do estilo de vida da elite econômica brasileira. Parafraseando o tema de uma conhecida campanha publicitária de cartão de crédito, existem coisas que o dinheiro não pode comprar, e o bom senso, certamente, é uma delas.

Por outro lado, o programa pode ensejar importantes reflexões sobre as facetas mais cruéis de nosso capitalismo periférico. De um lado, está uma minoria que possui os meios (materiais e imateriais) necessários para realizar todas as suas aspirações e desejos. De outro lado, invisíveis para os meios de comunicação e excluídos pelo sistema vigente, estão os indivíduos que levam uma existência deletéria, caracterizada por todo tipo de privação.
 
Da web

20/12/2011

Obrigada a falar sobre "A Privataria Tucana", Folha ataca obra e sai em defesa de acusados


Image
José Serra
Especialmente nos casos relacionados a parentes, contra parentes e amigos de José Serra, o presidenciável da oposição duas vezes derrotado na disputa pelo Planalto (2002-2010). O jornalão de Barão de Limeira, além de mudar a forma como trata denúncias desse tipo, questiona a credibilidade e os antecedentes do jornalista Amaury Ribeiro Jr., o que não faz com nenhum outro denunciante dos casos recentes envolvendo ministros do governo federal.

Lembremo-nos, por exemplo, só de casos recentes, como os do ex-ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), denunciado por um ex-policial investigado e processado, e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), vítima de uma campanha articulada em sua maior parte por grupos ligados a deputadas e a pessoas a elas ligadas que atuam nos subterrâneos da política de Brasília.

Jornal reconhece que as provas existem e procura desqualificá-las

O Folhão, quando falou disso o fez en passant. Já no caso de Amaury Ribeiro Jr... Ao publicar a matéria sobre "A Privataria Tucana", hoje, o jornalão dá o espaço de direito aos acusados (para resposta). Mais do que natural. Chega, inclusive, a reproduzir declarações de 2002 de um deles se defendendo, o ex-diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio Oliveira. Ricardo, ligado a José Serra, é apontado no livro como beneficiário de depósito em paraísos fiscais feito pelo empresário Carlos Jereissati quando da privatização das teles.

Ao mesmo tempo em que recorre a declarações de nove anos atrás de Ricardo, como elas e as dos demais acusados não conseguem contestar as provas, o próprio jornal assume a defesa dos acusados. Diz que, de fato, há documentos de que houve depósito de Carlos Jereissati em nome de Ricardo Sérgio, mas que o livro não apresenta prova de que isso tenha a ver com privatização; e confirma que entrou dinheiro na conta de Verônica Serra (filha de José) na sociedade com Verônica Dantas, mas que não há evidências que esses recursos tenham origem ilícita.

Mesmo defendendo-os por conta própria, de forma editorializada, o jornal dá aos acusados, registre-se, o espaço de defesa que costuma negar aos demais. O centro da argumentação da matéria do jornal é a falta de provas. Isto é esgrimido pelo Folhão de forma direta e clara, contrastando com todas as matérias que fez nestes últimos meses, quando jamais usou esse critério da ausência ou não de provas.

Ajuda ao eterno candidato do Folhão à presidência da República


Na prática, com seu material de hoje, o jornal procurou desqualificar o livro e as denúncias. Mais do que isso, desqualificar o jornalista, que não denunciou nada, apenas faz uma reportagem, reconta a história como o próprio jornal avalia. Na realidade, a matéria de hoje da Folha apenas serve de gancho para que o jornal ouvisse e desse espaço ao seu político predileto e eterno candidato a presidente da República, José Serra.

Predileção, aliás, que ela nunca escondeu ou fez questão de esconder. Tanto que o material publicado não é assinado, quer dizer, é o próprio jornal deixando claro que ele, numa posição editorial, assume a defesa de José Serra e cia. Pela própria prática recente e reiterada do PSDB e da própria Folha, a se considerar a postura que adotam diante do assunto - desde que os envolvidos  sejam do governo - as denúncias relacionadas em "A Privataria Tucana" deveriam ser investigadas e os denunciados afastados de suas funções.

Ou os métodos do jornal e do PSDB, de denúncia e linchamento público, só valem para os adversários?
Especialmente nos casos relacionados a parentes, contra parentes e amigos de José Serra, o presidenciável da oposição duas vezes derrotado na disputa pelo Planalto (2002-2010). O jornalão de Barão de Limeira, além de mudar a forma como trata denúncias desse tipo, questiona a credibilidade e os antecedentes do jornalista Amaury Ribeiro Jr., o que não faz com nenhum outro denunciante dos casos recentes envolvendo ministros do governo federal.

Lembremo-nos, por exemplo, só de casos recentes, como os do ex-ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), denunciado por um ex-policial investigado e processado, e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), vítima de uma campanha articulada em sua maior parte por grupos ligados a deputadas e a pessoas a elas ligadas que atuam nos subterrâneos da política de Brasília.

Jornal reconhece que as provas existem e procura desqualificá-las

O Folhão, quando falou disso o fez en passant. Já no caso de Amaury Ribeiro Jr... Ao publicar a matéria sobre "A Privataria Tucana", hoje, o jornalão dá o espaço de direito aos acusados (para resposta). Mais do que natural. Chega, inclusive, a reproduzir declarações de 2002 de um deles se defendendo, o ex-diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio Oliveira. Ricardo, ligado a José Serra, é apontado no livro como beneficiário de depósito em paraísos fiscais feito pelo empresário Carlos Jereissati quando da privatização das teles.

Ao mesmo tempo em que recorre a declarações de nove anos atrás de Ricardo, como elas e as dos demais acusados não conseguem contestar as provas, o próprio jornal assume a defesa dos acusados. Diz que, de fato, há documentos de que houve depósito de Carlos Jereissati em nome de Ricardo Sérgio, mas que o livro não apresenta prova de que isso tenha a ver com privatização; e confirma que entrou dinheiro na conta de Verônica Serra (filha de José) na sociedade com Verônica Dantas, mas que não há evidências que esses recursos tenham origem ilícita.

Mesmo defendendo-os por conta própria, de forma editorializada, o jornal dá aos acusados, registre-se, o espaço de defesa que costuma negar aos demais. O centro da argumentação da matéria do jornal é a falta de provas. Isto é esgrimido pelo Folhão de forma direta e clara, contrastando com todas as matérias que fez nestes últimos meses, quando jamais usou esse critério da ausência ou não de provas.

Ajuda ao eterno candidato do Folhão à presidência da República


Na prática, com seu material de hoje, o jornal procurou desqualificar o livro e as denúncias. Mais do que isso, desqualificar o jornalista, que não denunciou nada, apenas faz uma reportagem, reconta a história como o próprio jornal avalia. Na realidade, a matéria de hoje da Folha apenas serve de gancho para que o jornal ouvisse e desse espaço ao seu político predileto e eterno candidato a presidente da República, José Serra.

Predileção, aliás, que ela nunca escondeu ou fez questão de esconder. Tanto que o material publicado não é assinado, quer dizer, é o próprio jornal deixando claro que ele, numa posição editorial, assume a defesa de José Serra e cia. Pela própria prática recente e reiterada do PSDB e da própria Folha, a se considerar a postura que adotam diante do assunto - desde que os envolvidos  sejam do governo - as denúncias relacionadas em "A Privataria Tucana" deveriam ser investigadas e os denunciados afastados de suas funções.

Ou os métodos do jornal e do PSDB, de denúncia e linchamento público, só valem para os adversários?

07/12/2011

Sem propostas - Tucanos seguem ordem de Alckmin e atacam Haddad

Os quatro pré-candidatos tucanos à Prefeitura de São Paulo seguiram recomendação do governador Geraldo Alckmin, e se esquivaram de fazer críticas contundentes à gestão do atual prefeito Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD.

Em sabatina, promovida ontem pelo Uol, os postulantes à candidatura do PSDB não deixaram de propor melhorias à atual administração municipal, mas pouparam Kassab de considerações negativas.

Em encontro, promovido na manhã de domingo e articulado por Alckmin, foi recomendado aos pré-candidatos do PSDB "dar valor" a partidos com potencial de se tornarem aliados do PSDB na disputa municipal, sobretudo o PSD. O comando tucano teme que críticas à atual administração possam inviabilizar uma aliança com a nova sigla.

Com o prefeito preservado, a munição dos pré-candidatos tucanos voltou-se para o PT e ao ministro Fernando Haddad, candidato petista à sucessão municipal. Após a sabatina, o presidente do diretório municipal do PT em São Paulo, vereador Antonio Donato, rebateu as críticas dos pré-candidatos do PSDB a Haddad: "Quem não tem proposta tem que atacar, né?"
 
Com Blogs

24/11/2011

Presidente tucano do Metrô é investigado também por irregularidades na CPTM

Além da investigação do contrato de licitação da Linha 5- Lilás do Metrô, o Ministério Público instaurou um inquérito civil público para apurar um contrato de R$ 10,6 milhões de 2008 de manutenção dos trilhos da Linha 9-Esmeralda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), segundo o promotor responsável pelo caso, Marcelo Milani. Na época, Sérgio Henrique Passos Avelleda, atual presidente afastado do Metrô, era presidente da CPTM.

- O TCU (Tribunal de Contas da União) julgou o contrato irregular e foi determinada a nulidade da licitação. O TCU declarou as contas ilegais e mandou a polícia investigar. E a promotoria vai também verificar os fatos.

Além da investigação, o TCU fixou multa a Avelleda e a outros dois diretores da CPTM, de acordo com Milanesi.

- Com o afastamento do Avelleda do cargo, outros eventos ainda podem ser investigados pelo Ministério Público.

A juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti havia determinado a suspensão das obras e o afastamento de Avelleda. O descumprimento das determinações poderia acarretar em multa diária de R$ 100 mil, em cada caso.

A decisão da juíza Simone foi tomada após denúncia do Ministério Público de que havia indícios de fraude na licitação da Linha Lilás. A denúncia aponta que empresas responsáveis por dois lotes das obras seriam conhecidas antes mesmo da abertura dos envelopes da licitação. Elas ainda teriam cobrado valores maiores para o serviço.

A Justiça de São Paulo liberou a continuação das obras de expansão da Linha 5-Lilás do Metrô quatro dias após a ordem de suspensão das obras e um dia após o Metrô afirmar que havia enviado carta às empresas responsáveis pela obra para pararem os trabalhos.

A decisão de retorno das obras foi dada pelo desembargador José Roberto Bedran, que afirmou que a não-conclusão da obra, além de implicar num prejuízo de mais de R$ 85 milhões aos cofres públicos, é prejudicial ao programa de desafogamento do trânsito.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin afirmou que a decisão do TJ de liberar as obras foi "correta". Ele ainda declarou que o governo irá recorrer da decisão que manteve o afastamento do presidente do Metrô.


Da web

31/10/2011

Movimentos cobram transparência no governo Alckmin

Há 18 anos Manuel Otaviano da Silva participa de manifestações populares em defesa da democracia e cidadania. Sua jornada, especialmente na Central de Movimentos Populares, já completou 10 anos. Hoje foi mais um dia em que Manoel entrou em cena e, desde às 9 horas da manhã, fincou seu arsenal constituído de apito, panfletos e muita animação passou o dia na rampa de entrada do maior Parlamento da federação brasileira. Junto com outros militantes de movimentos sociais e sindicais, Manoel que é da direção estadual da CMP, abordou aqueles que chegavam pediam apoio à CPI da Venda das Emendas. Incansável ele argumentou, falou e falou sobre a importância da instituição da CPI. “Nós temos clareza de só uma CPI pode apurar a fundo a venda de emendas. Depois da União São Paulo tem o maior orçamento da União e é inconcebível que desviem dinheiro público, enquanto nossa população carece de coisas básicas como saúde, moradia e educação,” protestou.

Lá do alto do caminhão de Wagner Gomes, secretário nacional de finanças da CUT, defendeu a reforma política para acabar com o fisiologismo e desvios de recursos públicos. Para Gomes São Paulo precisa reagir e o Ato foi uma demonstração da força de homens e mulheres trabalhadores do Estado. “Nós não aceitamos esta operação abafa que ocorreu hoje no Conselho de Ética queremos uma CPI para apurar os desmandos do governo tucano”, ressaltou.

Já o presidente da CUT estadual Adi dos Santos Lima, saldou os manifestantes e os deputados presentes no Ato e destacou a importância da eleição de políticos comprometidos com os interesses da população. “Os trabalhadores sabem com quem pode contar e quem defende a sociedade e quer esclarecer a venda das emendas e negociações feitas com o dinheiro público” e ao final informou que a CUT vai produzir material com fotos dos deputados que assinaram o pedido de CPI e também daqueles que se negaram a assinar o pedido. “Eles é que se expliquem por que não querem investigar“.

Todas as manifestações foram acompanhadas por Manuel e seus companheiros de luta e a cada deputado e ou deputada que subia no caminhão de som e assumia o microfone a plateia aplaudia, tremulava as bandeiras de suas instituições e apitam. “Isso é democracia, isso é cidadania” outro explicava para o pipoqueiro que se juntou ao Ato e garantiu sua renda do dia.

Com PT/Alesp

11/10/2011

Escândalo - Loteamento de cargos no governo paulista

As empresas estatais paulistas empregaram até o início do ano em seus conselhos de administração ao menos dez ex-parlamentares de partidos que apoiam a candidatura presidencial do ex-governador José Serra – alguns saíram em função da eleição e outros permanecem nos cargos.
A lista inclui a ex-vereadora e ex-subprefeita Soninha Francine (PPS), coordenadora de internet da campanha do tucano, lotada até hoje no conselho da Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb). Ela nega motivação política na nomeação.
Além do PPS e do PSDB, a relação inclui políticos que ficaram sem mandato do DEM, PMDB e PTB, cujos diretórios estadual (no caso peemedebista) ou nacional apoiam Serra. Alguns deles são de Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.
Todos recebem, por reunião mensal, entre R$ 3,5 mil e R$ 4,4 mil, o chamado jetom. Como o regulamento permite até 2 sessões remuneradas por mês, eles podem acumular até R$ 7 mil e R$ 8,8 mil no período.
O JT obteve nomes dos conselheiros a partir de balanços de 2009 das estatais publicados em Diário Oficial até abril deste ano, mês no qual Serra renunciou ao governo para disputar à Presidência, sendo substituído por Alberto Goldman (PSDB).
Na lista, há seis políticos que já deixaram os conselhos este ano para saírem candidatos, assumir mandato eletivo ou trabalhar nas campanhas. É o caso, por exemplo, do ex-secretário-geral da Presidência no governo FHC e tesoureiro nacional do PSDB, Eduardo Graeff, auxiliar de comunicação na campanha de Serra. O tucano aparecia como conselheiro da Cetesb até abril deste ano, mas, segundo o governo, já deixou o cargo.
Junto com Soninha até hoje na Cetesb estão ainda os ex-deputados federais Koyu Iha (PSDB-SP) e Ney Lopes de Souza (DEM-RN). Todos ganham jetom de R$ 3,5 mil, o que corresponde a 30% do salário dos diretores da companhia, atualmente em R$ 11,8 mil. Em dezembro, todos os conselheiros recebem o equivalente a dois jetons de gratificação.
Já o suplente de senador João Faustino (PSDB-RN), que era subsecretário da Casa Civil, recebia até julho jetons da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), de R$ 3,5 mil, e da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), de R$ 4,4 mil. Ele só deixou o cargo há três meses para assumir mandato por conta da licença do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN).
Quem também esteve em conselho – Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) – até o limite permitido pela lei eleitoral (março) foi o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ), que atua como um dos arrecadadores da campanha de Serra. Ele se afastou do cargo para ser vice de Fernando Gabeira (PV-RJ) na disputa ao governo do Rio.
Na Companhia de Desenvolvimento Agrícola (Codasp) estava o ex-deputado Edinho Araújo (PMDB), que renunciou para concorrer a federal. Na Dersa, CDHU e Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) estavam, respectivamente, ex-deputados Claury Silva (PTB), que era secretário de Esportes, e Ronaldo Pereira (PSDB-TO) e o ex-senador Geraldo Melo (PPS-RN), que, segundo o governo, deixaram os cargos este ano.

NÃO HÁ LOTEAMENTO, DIZ GOVERNO
Em nota enviada por e-mail, o governo estadual afirma que “não existe loteamento” político nas nomeações dos conselheiros de administração das empresas estatais paulistas e destaca que “75% dos cargos dos conselhos são ocupados por representantes ligados diretamente ao governo”.
“Não existe ‘loteamento’ e a administração dessas empresas, a exemplo das demais sociedades de economia mista, públicas e privadas, é realizada em conjunto pelo Conselho de Administração e Diretoria Executiva, conforme previsto na Lei Federal nº 6.404/76”, diz a nota oficial. Segundo o governo, “é importante lembrar que o conselho não têm caráter executivo” e “o papel dos conselheiros é deliberar e auxiliar na formulação de políticas e diretrizes gerais de longo prazo que norteiam as estratégias de negócios” das empresas. A assessoria do governo destaca que a gestão das empresas “cabe aos membros das diretorias executivas, que também ocupam cargos nos conselhos das empresas que administram, e cuja seleção é exclusivamente baseada em perfil técnico.”De acordo com o governo, os critérios adotados para o preenchimento das vagas nos conselhos são os seguintes: “a presidência é reservada ao secretário da pasta à qual a empresa é vinculada; as demais vagas são ocupadas pelo diretor-presidente da empresa, por servidores graduados do Poder Executivo, por acionistas minoritários e membros independentes, por representantes da sociedade civil com perfil técnico, econômico ou político, e por representantes dos empregados.”Em um quadro com dados atualizados, o governo afirma que existem hoje 223 conselheiros em 21 empresas paulistas, sendo “75% dos cargos ocupados por representantes ligados diretamente ao governo”. Segundo os dados, há 16 secretários de governo ocupando a presidência das estatais, 98 servidores graduados do Executivo, 7 acionistas minoritários, 35 “representantes da sociedade civil com perfil técnico, econômico ou político”, entre outros.

‘NÃO PERGUNTARAM MEU PARTIDO’, AFIRMA SONINHA
Nomeada no conselho da Cetesb, a ex-subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS), negou haver favorecimento político na sua indicação e disse não ver problema em acumular a função com a coordenação da campanha do tucano José Serra à Presidência. “Ninguém me perguntou a qual partido eu era filiada, mas sabiam da minha experiência na área ambiental, como jornalista, vereadora e subprefeita”, disse ela, que após a entrevista por telefone twittou: “JT prepara matéria sobre conselheiros de empresas.
 
Da web

18/09/2011

Índio da Costa, o político 10 real

 

 
Índio da Costa reapareceu no noticiário com mais uma de suas ideias geniais. Depois de conversar com o cacique Jilberto Caçab, ele resolveu promover um curso relâmpago para potenciais vereadores do PSD no Rio de Janeiro. Entre os interessados, compareceram desde juízes de futebol (cansados de serem chamados de “fdp” e “ladrão”) a passistas de escola de samba (que só têm emprego garantido no mês de fevereiro). O sucesso foi tanto que Índio da Costa já planeja lançar o curso à distância, especialmente para blogueiros “independentes”, tuiteiros profissionais, marqueteiros políticos e especialistas em “social media”
 
O que foi realmente espantoso foi o preço do curso. Eu já tinha ouvido falar de artista “déiz real”. Já tinha ouvido falar até em jornalista “déiz real”. Mas vereador “déiz real” é novidade. Aliás, uma novidade preocupante para os cofres públicos, já que o vereador “déiz real” é treinado para roubar “déiz milhão de real”…
 
Do blog Revista Piaui

26/08/2011

A mídia e o ditador da CBF

Nos jornais de sexta-feira (26), a política faz uma incursão no futebol: segundo o caderno “Esporte” da Folha de S.Paulo, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, usou o técnico da seleção, Mano Menezes, para se aproximar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi num jantar em São Paulo, na quarta-feira (24), quando Lula foi convidado a visitar os jogadores na concentração antes da primeira partida amistosa contra a Argentina, marcada para o dia 14 de setembro.
A notícia seria mais um desses registros de relações-públicas, não fosse o contexto em que se dá o encontro.

Segundo notícias esparsas publicadas principalmente por blogs de jornalismo esportivo, o governo federal vem pressionando a CBF, e especificamente seu eterno presidente, Ricardo Teixeira, por causa de suspeitas em relação a obras para a Copa do Mundo de 2014. Como se sabe, Teixeira nomeou a própria filha, Joana, para um cargo de comando no Comitê Organizador da Copa.

O Estado de S.Paulo já chegou a publicar que ele estaria preparando a filha para sucedê-lo na presidência da CBF após 2014.

Longo reinado
Também correm notícias, segundo lembra a edição de sexta-feira (26) da Folha, de que têm havido desentendimentos entre o todopoderoso comandante do futebol brasileiro e o governo federal – o jornal paulista cita dificuldades no relacionamento dele com a presidente Dilma Rousseff e com o ministro do Esporte, Orlando Silva.

Não seria difícil imaginar os efeitos de uma “faxina” – dessas que a imprensa defende nos ministérios – em cima da CBF e de Ricardo Teixeira.

Claro que, sendo a entidade esportiva uma instituição privada, não seria possível uma ação direta como a que determinou o afastamento recente de ministros e assessores importantes do governo. Mas os contratos para a organização da Copa permitem uma série de controles, contra os quais Ricardo Teixeira está tratando de se proteger.

O problema é que o longo reinado do presidente da CBF também acabou gerando distorções na sua relação com a mídia, principalmente no que se refere aos direitos de transmissão dos campeonatos oficiais.

O povo nas ruas?

A relação privilegiada da CBF com a mídia quer dizer, exatamente, a parceria que mantém há mais de dez anos com a Rede Globo –que, além da exclusividade para transmitir os jogos nos horários que mais convêm à sua grade de programação, sempre teve privilégios de acesso à seleção brasileira de futebol.

Pois esse casamento pode estar chegando ao fim: no dia 13 de julho passado, pela primeira vez em uma década de boas relações, período em que ignorou todos os malfeitos da Confederação Brasileira de Futebol, a TV Globo dedicou mais de três minutos do Jornal Nacional a uma reportagem sobre ligações entre Ricardo Teixeira e o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, em irregularidades na organização de uma partida amistosa da seleção ocorrida em 2008.

Um mês antes, a revista Piauí havia publicado entrevista de Teixeira, na qual o todopoderoso chefe da CBF dizia não temer a imprensa, e que só começaria a se preocupar se o Jornal Nacional o atacasse.

Nesse intervalo, as Organizações Globo divulgaram sua carta de “princípios editoriais”, na qual se afirmava que não haveria assuntos tabus para seus veículos de comunicação.

A julgar por alguns acontecimentos recentes no mundo futebolístico, a ruptura é para valer e acontece dos dois lados: na última semana, a CBF anunciou mudanças repentinas em horários de jogos do Campeonato Brasileiro. Em vez do horário das 21h50, imposto pela Globo para não atrapalhar a audiência de suas novelas, algumas partidas foram marcadas para as 18 h.

Segundo o blog do jornalista Altamiro Borges, citado pela agência Adnews, trata-se de uma retaliação de Teixeira contra a Rede Globo, por conta da reportagem do Jornal Nacional.

Entre as partidas com horário alterado estão o confronto do returno entre o Corinthians e o Grêmio de Porto Alegre, jogo de grande audiência, marcado para o próximo dia 31/8, e São Paulo versus Atlético Mineiro, dia 8 de setembro.

Pode ser o começo do fim para Ricardo Teixeira. Como se trata de futebol, é muito possível que, com pouco esforço, a Rede Globo consiga mobilizar a população para derrubar o ditador da CBF.

Da web

04/08/2011

FINALMENTE O ARROGANTE E VAIDOSO TUCANO NELSON JOBIM DEIXA O GOVERNO

Confirmada a saída do ministro da Defesa, Nelson Jobim., que estava em Tabatinga (AM), na fronteira do Brasil com a Colômbia brincando de General.

A situação de Jobim se deteriorou depois que foram divulgados trechos de uma entrevista dele com críticas ao governo e, em especial, à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Na entrevista, um forte Jobim disse que Ideli é uma ministra “muito fraquinha” e que Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, "não conhece Brasília".

Não foi a primeira vez que Jobim faz provocações o ex-ministro revelou que, na última eleição presidencial, votou no tucano José Serra por amizade. Jobim foi presidente do Supremo Tribunal Federal (2004-2006) e ministro da Justiça do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1997) graças aos tucanos privatistas e neoliberais.

Os tucanos que tiveram a declaração de voto de Jobim não demonstraram indignação nenhuma pela saída do ministro que parece deverá substituir FHC no quesito falar besteiras então ninguém querer por perto.

10/07/2011

Jornal de Murdoch escandaliza o mundo


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Rudolph Murdoch
Vários ingredientes levam a crer que estamos tratando de um romance policial de qualidade duvidosa: grampos ilegais, propinas a policiais, invasão à caixa de mensagens telefônica de uma menina de 12 anos que já havia sido seqüestrada e morta. Entretanto, o caso é real. Ele envolve o magnata Rudolph Murdoch e seu monopólio midiático.

O tablóide mais lido na Inglaterra, News of the World, com uma circulação diária de 2,8 milhões de exemplares, que fez sua história explorando o escândalo alheio, ganhou hoje as páginas dos principais jornais europeus com um escândalo em que seus próprios jornalistas e executivos são os protagonistas. O jornal, do grupo de Murdoch, agora é alvo de uma investigação por parte da Scotland Yard.

Entre os delitos cometidos, o que mais indignou a população foi o fato de o News of the World ter sido o responsável por mensagens apagadas da caixa postal do celular da menina Milly Downer, desaparecida em 2002, e encontrada, mais tarde, assassinada. O ato foi promovido para que novas mensagens pudessem entrar na caixa postal hackeada e, assim, serem monitoradas. No entanto, a movimentação na caixa postal da criança assassinada levou a família a crer que ela ainda estaria viva.

Lista iclui parlamentares

Na vil lista de violações de privacidade, foram vítimas, ainda, membros da família real, congressistas, ex-combatentes do Afeganistão e vítimas da série de atentados no Reino Unido em julho de 2005.

O jornal espanhol El País, hoje, ressalta que o escândalo não é apenas uma crise mediática, mas também uma crise política de grande proporções. “Alguns parlamentares ensaiaram ontem seu mea culpa em um debate na Casa dos Comuns, em que muitos deles felicitaram o diário The Guardian e aos deputados trabalhistas Chris Bryant e Tom Watson por sua insistência em denunciar o que, para a maioria, não passava de uma teoria conspirativa”, publicou o periódico espanhol.

Com Agências

29/05/2011

Imprensa Tucana - Dois pesos, duas medidas

O Estado de São Paulo informou que o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, acusou a Prefeitura de São Paulo de ser responsável pelo vazamento dos dados da empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci Projeto, a Projeto.

“Temos informações de que dados do Imposto sobre Serviço (ISS) da empresa de Palocci foram obtidos na Secretaria de Finanças da Prefeitura de São Paulo”, afirmou Carvalho ao jornal.

Ainda ontem o vereador José Américo (PT-SP) protocolou requerimento na Câmara Municipal de São Paulo dirigido ao secretário municipal de Finanças, Mauro Ricardo, solicitando a relação dos nomes de servidores municipais que têm autorização de acesso ao sigilo fiscal de contribuintes do Imposto Sobre Serviços (ISS). "São três perguntas (que estão em pauta): quem pode acessar (o sistema), quem foi acessado nos últimos seis meses e se o Mauro Ricardo tem possibilidade de acessar sozinho", resumiu ele.

Interessante o tratamento dado pela imprensa no caso do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. A mídia se comporta como se não houvesse no país o sigilo sobre as movimentações financeiras pessoais, um direito constitucional. O caso me faz lembrar a ênfase dada por esta mesma mídia à defesa dos tucanos durante a campanha eleitoral em 2010, quando os dados do Imposto de Renda dos tucanos vieram a público. Na ocasião, não faltou quem bradasse o direito sagrado à privacidade. Mas, pelo visto, ele é prerrogativa apenas de alguns

16/04/2011

Crise: já que a mídia poupa e não acusa responsável, o FMI o faz

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sede FMI
A crise mundial - que nos afeta cada vez mais -, como não poderia deixar de ser, ocupa há muito tempo o centro do noticiário. Só que de uma forma enviezada: a mídia culpa a tudo e a todos, menos o principal responsável por ela, os Estados Unidos.

E o pior, responsáveis que ainda não fizeram o seu ajuste, o que atrasa o ajuste na Europa e no Japão, levando ao endividamento dos países ricos a 100% do PIB, nível mais alto já atingido desde a II Guerra Mundial.

Esquecer, e não levar em conta sempre esse dado fundamental, simplesmente, pode provocar erros estratégicos graves. Os EUA estão com uma dívida pública equivalente a 90% do seu PIB e seu déficit público atinge 11%. Isto mesmo, 90% e 11%!

Por isso, tudo o que escrevem nossos críticos aqui no Brasil, não passa de tinta em papel. Principalmente, porque se acrescentados os débitos das empresas públicas Fannie Mae e Freddie Mac, a dívida pública norte-americana alcança 124% do seu PIB.

Mídia poupa e não acusa. O FMI o faz


Isso levou o próprio FMI a exigir, esta semana, medidas drásticas em relação ao governo dos EUA. O Fundo acusa a maior economia do mundo de demorar na consolidação fiscal e de optar pelo crescimento econômico. Prestem atenção, optar pelo crescimento econômico!

Espero que a tucanada e seus parceiros tenham lido esta acusação e cobrança na imprensa internacional, já que nada disso foi veiculado na mídia tupiniquim. Ela faz de conta que não viu nada.

Mas, o pior é a dívida pública japonesa, já atingindo 250% do PIB, e na Europa chegando a patamares acima dos 100%, na Itália, Grécia, Irlanda e Portugal. Com o agravante de que à exceção da Europa, o déficit público nos EUA e no Japão só aumenta.
 
Da web

07/04/2011

Aócio Never - Nem novidade nem roteiro para a oposição

No final - o grand finale! - de seu discurso esperado como um roteiro de ação para a oposição ao governo Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) não trouxe nem novidades nem agenda nenhuma a ser seguida pelos oposicionistas.

O grand finale veio com o choque de gestão pública, já que não basta avanços sociais sem avanços na gestão pública, é preciso administrar bem -  lógico, a la Aécio em Minas Gerais! Como vemos nenhuma novidade. Uma repetição do discurso tucano, derrotado em três eleições presidenciais.

Nenhuma proposta alternativa, a não ser a óbvia, e que ele mesmo reconhece no pronunciamento que a presidenta da República apoia: a redução dos impostos em setores estratégicos da economia (..).

Nenhuma autocrítica. Sequer a exposição de uma visão crítica da crise da oposição, do desmantelamento do DEM, do sumiço do PPS, da cisão do PV, da eterna briga entre os tucanos - entre ele próprio, José Serra, Geraldo Alckmin e cia - e nada sobre o mundo.

No tamanho e no estilo elitista-saudosista dos tucanos


O senador parece viver prisioneiro (da Serra) das Mantiqueiras. Para ele, o Brasil profundo não existe, a América do Sul idem, e não está acontecendo nada no mundo. Não há nenhum reconhecimento dos avanços do Brasil nos últimos 10 anos.

Nem a criação de 15 milhões de empregos ou a redução da pobreza, nem o crescimento econômico e os investimentos em infraestrutura. Sequer os avanços no setor de petróleo e gás, o pré-sal, ele citou. O pronunciamento "vendido" ao Brasil quase como um roteiro do que seria a atuação da oposição, uma peça em que ela diria a que veio, foi quase uma colagem do discurso da última campanha de José Serra.

Não faltou nem a surrada acusação de que o PT esteve na oposição entre 1985 e 2002, enquanto eles, tucanos, construíam o Brasil.  Quanta pretensão! Mas, enfim, ficou bem no tamanho, e bem ao estilo do elitismo e do saudosismo que hoje dominam o tucanato.


Com blogs

18/03/2011

COMENTARISTA INDIGNA-SE COM JUSTIFICATIVA SOBRE REPORTAGEM DE ERENICE ENQUANTO AO MESMO TEMPO NÃO TINHAM JUSTIFICATIVA PARA OMITIR REPORTAGEM COM ARRUDA

Cometarista Alexandre Bueno localiza texto em que revela-se os dois pesos, as duas medidas quanto ao tratamento dado a informações e denuncias quando da publicação do escândalo Erenice Guerra e das novas velha revelações de Arruda ainda antes das eleições. O entendimento foi diferente:

"A publicação da reportagem (Erenice) a vinte dias do primeiro turno das eleições fará brotar acusações de que o objetivo é prejudicar a candidata oficial, Dilma Rousseff. São especulações inevitáveis. Mas quais seriam as opções? Não publicar? Só publicar depois das eleições? Essas não são opções válidas no mundo do jornalismo responsável, a atividade dedicada à busca da verdade e sua revelação em benefício do país."

Assim justificaram a divulgação da reportagem de Erenice enquanto que no seu "jornalismo responsável, na sua busca da verdade e em benefício do país" omitiram a reportagem sobre denúncias de Arruda.
Da web

04/03/2011

Mais um imbróglio em governo tucano paulista

Teve governo tucano em São Paulo - e eles estão aí há 30 anos, a contar do 1º, de Franco Montoro, a partir de 1983 - preparem-se e não se surpreendam, é um escândalo, uma irregularidade, uma maracutaia por semana. No mínimo. A deste início de semana é de novo na polícia - agora na alta cúpula.

Geraldo Alckmin (PSDB), agora governador do Estado pela 3ª vez, demitiu o estatístico e sociólogo Túlio Kahn, alto funcionário da cúpula da Secretaria de Segurança Pública. Túlio detinha informações sigilosas, a maioria confidenciais, sobre estatísticas da polícia e violência pública usadas pelo governo e que nem chegavam a população.

Mas, ele montou uma empresa e as disponibilizava, vendia os dados secretos para seus clientes. Mas, atenção: Geraldo só demitiu Túlio Khan depois da Folha denunciar o esquema mantido pelo alto executivo da cúpula da Secretaria de Segurança Pública. Parece aquela história popular de fechar a porta depois de roubado...

Detalhe: Túlio vinha há muito tempo no posto e passou incólume - já estava lá no governo do outro tucano, José Serra (janeiro 2007-abril 2010). Pior é que Túlio Kahan afirmou ter sido autorizado a fazer seus negócios por seu ex-chefe, Saulo de Castro Abreu Filho, secretário de Segurança Pública do outro governo Alckmin (2003-2006) e agora seu secretário de Transportes. Saulo nega ter autorizado.

Da web

21/02/2011

Mídia pressiona o Judiciário, mas atribui esta atitude aos réus

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sede do STF

Com maior intensidade neste fim de semana, recomeçou a campanha da mídia contra os arrolados na Ação Penal 470 (AP-470) - o chamado "mensalão"  - em tramitação no STF. A parte da mídia que já nos condenou não reconhece e não aceita nem a presunção da inocência, nem o direito de defesa. Pior, faz sofisma: transforma a condenação moral em banimento da vida política e social. Conduz-se, e a suas reportagens, na linha de que o ônus da prova não cabe ao acusador, e o juiz não deve julgar com base no processo, nos autos, nas provas, nos fatos, mas sim ouvindo a chamada opinião pública ou o clamor popular,  já devidamente insuflados por esta mesma mídia.

 
sede do STF
Com maior intensidade nos últimos dias, particularmente nesse fim de semana, começou de novo a campanha da mídia contra os arrolados na Ação Penal 470 (AP-470) - o chamado "mensalão"  - em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

A parte da mídia que já nos condenou não reconhece e não aceita nem a presunção da inocência, nem o direito de defesa. Pior, faz sofisma: transforma a condenação moral em banimento da vida política e social.

Conduz-se, e a suas reportagens, na linha de que o ônus da prova não cabe ao acusador, e o juiz não deve julgar com base no processo, nos autos, nas provas, nos fatos, mas sim ouvindo a chamada opinião pública ou o clamor popular,  já devidamente insuflados por esta mesma mídia.

Seguem o mesmo script, só mudam estratégia

Já fizeram isso antes e, tudo indica, agora vão tentar a mesma estratégia com uma diferença - somos nós os acusados de pressionar o Supremo. Pressionam o Judiciário, mas atribuem aos réus essa estratégia.

Nosso direito de defesa e presunção da inocência, o de todos os arrolados nesta Ação, não vale nada. Para esta parte da imprensa, isto nada mais é do que pressão sobre a Corte Suprema.

Estou na direção do PT desde setembro de 2009, quando fui eleito. Tomamos posse em fevereiro de 2010, já há um ano. Mas minha presença no Diretório Nacional, na última reunião, é apresentada como reabilitação para pressionar o Supremo.

Faço este trabalho político-partidário desde 2006

Viajo pelo país desde 2006. Nunca deixei de dar palestras, fazer reuniões com partidos, governantes estaduais e municipais, empresários, aliados, personalidades, enfim com o mais amplo leque de pessoas representativas da cidadania e da sociedade.

Mas, agora, minhas viagens este ano são apresentadas como uma campanha pela minha absolvição. Da mesma forma, uma reunião que fiz com dirigentes do PT para organizar essas viagens e informá-los sobre o andamento do processo, pela mídia virou pressão sobre o STF.

Blog do Zé

28/01/2011

Escândalo no TCU sai com discrição na FSP

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Tribunal de Contas da União
Nada de manchete na 1ª página. Não deste escândalo. Ao contrário do que faz com as decisões do Tribunal de Contas da União (TCU) contra o governo, a mesma Folha de S.Paulo que denunciou que o presidente do órgão, Benjamin Zymler, recebeu R$ 228 mil por palestras e cursos em órgãos públicos por ele fiscalizados, hoje coloca o assunto só em suas páginas internas.

Benjamin Zymler continuou atuando em processos de interesse dos contratantes e, registra a Folha de S.Paulo, em sessão com seus pares ontem à tarde, disse não ver conflito, incompatibilidade, ou ilegalidade nas palestras e cursos que ministrou, no dinheiro que recebeu e na continuidade do julgamento de processos relacionados aqueles que o pagaram.

O escândalo que envolve o tribunal, considerado o maior ninho de tucanos no país - por isso mesmo, uma usina de decisões contra o governo Lula nos últimos 8 anos - sequer é registrado nos outros jornais. Já a Folha o noticiou pelo 2º dia consecutivo, mas uma das soluções para evitar esse tipo de conflito ético, por exemplo, foi para o pé, o finalzinho da matéria de hoje.

Ela está expressa na nota em que a União dos Auditores Federais de Controle Externo propõe a adoção de algumas medidas para evitar conflito de interesse, como limitar o exercício de "magistério" por membros dessas atividades em "escolas de governo, para treinamentos de gestores e servidores de órgãos públicos".

18/01/2011

A tragédia esquecida de São Paulo

As proporções gigantescas assumidas pela calamidade na região serrana do Rio de Janeiro - o número de mortos chegou a 568 até o início desta tarde - levou a mídia a relegar a um 2º plano, às últimas páginas do noticiário o drama das enchentes que assolam São Paulo desde o início das chuvas de verão em dezembro, há um mês e meio.

Infelizmente, não é o fato de a imprensa em geral lhe atribuir menor espaço (em alguns veículos, virou pequenas notas) que o drama deixou de existir. Tampouco cessou com a imprensa adotando o seu tradicional dois pesos e duas medidas: culpa o governo federal pela tragédia do Rio, mas registra a de São Paulo como se esta não tivesse culpados ou responsáveis.

Chuva de pouco mais de uma hora na tarde desta 6ª feira voltou a provocar transtornos em toda a região metropolitana e deixou parte da Capital paulista paralisada. O tráfego em vias de ligação importante da cidade, como a 23 de Maio, vital avenida entre as zonas Central e Sul chegou a ficar interditado por alagamento durante várias horas.

Só medidas paliativas

As avenidas marginais dos rios Tietê e do Pinheiros ficaram cheias. Em pouco mais de uma hora de chuva do meio para o fim da tarde a cidade ficou com nada menos que 28 pontos de alagamento - três intransitáveis - nas zonas Centro, Oeste e sul.

Na região do ABCD o rio Tamanduateí transbordou nas cidades de Santo André, São Caetano do Sul e Mauá. Em São Bernardo do Campo a Via Anchieta foi fechada - também foram fechados trechos da rodovia Raposo Tavares.

Felizmente não se registraram ocorrências com mortos e feridos. Enquanto isso as autoridades estaduais e municipais continuam sem qualquer plano específico para fazer frente à essas situações de emergência na Capital, no Estado e em suas regiões metropolitanas.

Como não são cobrados pela mídia, continuam assistindo a tragédia impassíveis, como se não fosse com elas. Quando muito anunciam medidas paliativas.

Blog do Zé

09/01/2011

Chávez acusa comando da OEA de ingerência abusiva

 Em um comunicado, o governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, qualificou de "ingerência abusiva" a atuação do secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza. O representantes da OEA criticou a lei que concede a Chávez poderes para governar por decreto. Insulza disse que a medida contraria a Carta Democrática Interamericana.

"[O pronunciamento] constitui em um novo, abusivo e oportunista ato de ingerência que desprestigia ainda mais o secretário-geral da OEA ", diz o comunicado. Antes, Insulza havia criticado duramente a lei venezuelana. "O preocupante neste caso é que os parlamentares limitaram as faculdades do Poder Legislativo por 18 meses. Isso não é um mecanismo válido na democracia", disse Insulza.

As declarações de Insulza reproduzem o mesmo tom das críticas feitas por Washington na véspera, quando o subsecretário-adjunto dos EUA para a América Latina, Arturo Valenzuela, disse que a decisão do Parlamento venezuelano "viola os valores inscritos na Carta Democrática Interamericana".

Para a Venezuela, a semelhança não é coincidência e reflete "o triste papel da Secretaria-Geral da OEA como corrente de transmissão da política de intervenção e dominação estadunidense sobre o continente", diz o comunicado.

Em referência à oposição venezuelana, o governo ainda afirma que as "bandeiras políticas" que Insulza e Valenzuela defendem são as de "quem atentaram contra a democracia venezuelana entre 2002 e 2003" - quando ocorreu o frustrado golpe de Estado contra Chávez – "em cumplicidade com a OEA e o governo dos EUA", Segundo o documento.

O governo venezuelano defende a lei, que foi aprovada em dezembro de 2010, ao argumentar que os poderes especiais concedidos ao presidente buscam acelerar a aprovação de um pacote de leis para lidar com a crise ocasionada pelas fortes chuvas que assolaram o país e que já deixaram mais de 140 mil desabrigados.

A medida, no entanto, foi tomada a menos de um mês da posse do novo Parlamento, no qual 40% da bancada pertence à aliança opositora. Para os deputados antichavistas, que assumiram suas cadeiras, a lei habilitante é uma estratégia do Executivo para coibir a atuação da oposição neste período legislativo.

Essa é a quarta vez que Chávez ganha poderes especiais para legislar, sem ter que passar pelo crivo da Assembleia Nacional. Em 1999, ele pôde governar por decreto durante seis meses. Em 2000, o prazo dado pelos parlamentares foi de um ano.

Em 2007, Chávez teve o aval para firmar decretos-lei durante 18 meses. Neste período, foram lançadas as principais leis de nacionalização dos setores considerados estratégicos como petróleo, telecomunicações e eletricidade.
    Com NBr

    27/12/2010

    Justiça do Trabalho pune McDonald’s por desrespeitar leis trabalhistas 

    A rede McDonald’s foi intimada pela Justiça do Trabalho a investir R$ 11,7 milhões nos próximos nove anos com campanhas publicitárias contra o trabalho infantil devido às inúmeras e reiteradas agressões à legislação e aos direitos dos seus funcionários. A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores no Comércio e Serviços em Geral de Hospedagem, Gastronomia e Alimentação de São Paulo (Sinthoresp).

    Entre outras irregularidades elencadas na ação civil pública, o Ministério Público do Trabalho comprovou falta de emissão de Comunicados de Acidentes de Trabalho (CAT), principalmente quedas e queimaduras no interior das lojas; falta de bancos internos para descanso dos funcionários, provocando cansaço excessivo e varizes nos trabalhadores; falta de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA); alimentação inadequada (hambúrguer da própria rede para refeição); e falta de descanso contínuo de 24 horas pelo menos uma vez por semana.

    Para escapar da multa por descumprimento de acordo judicial na área trabalhista, o McDonald’s assinou um acordo com o MPT, recém-homologado pela Justiça do Trabalho, que determina que a partir de janeiro de 2011 a multinacional terá de veicular peças publicitárias em favor da prevenção e erradicação do trabalho infantil.

    17/12/2010

    Revolução Digital - Vitória contra a censura à Internet!

    Excelente a notícia: a justiça britânica concedeu liberdade sob fiança a Julian Assange, o fundador e diretor do Wikileaks, o site que tem divulgado documentos secretos da diplomacia norte-americana trocados com suas embaixadas em todos os países do mundo. A libertação poderia ter ocorrido hoje, mas a Suécia, onde Assange responde a processo, recorreu e ela poderá ser retardada por mais 48 h.

    Assange, preso sob a acusação de conduta sexual indevida contra duas voluntárias do WikiLeaks durante uma passagem pela Suécia - ele nega as acusações - na opinião da maioria dos analistas no mundo, está na prisão britânica, na verdade, por pressão dos Estados Unidos numa atitude que terminou se configurando no 1º ato de censura de grandes dimensões à Internet.

    Não pela censura, já que a maior parte da mídia ocidental conservadora  faz  vista grossa e sequer noticia a restrição imposta à Internet no caso Wikileaks, mas pelo que revelou, o site de Assange está no centro de uma polêmica mundial desde que começou a vazar uma série de mais de 250 mil documentos diplomáticos norte-americanos.

    O vazamento da correspondência tem provocado protestos de Washington e de seus aliados em todo o mundo. Hoje, pouco antes da libertação sob fiança ser anunciada, Assange criticou asperamente as operadoras de cartões de crédito Visa e Mastercard e a empresa de pagamentos na Internet PayPal, que bloquearam as doações ao seu portal desde que ele foi detido em Londres. As companhias negaram motivações políticas.

    Empresas instrumentos de política externa dos EUA


    "Agora sabemos que Visa, Mastercard e PayPal são instrumentos da política externa dos Estados Unidos. É algo que ignorávamos", afirmou o prisioneiro à sua mãe, Christine Assange, que repassou o comunicado à emissora Channel 7 e ao jornal "The Age".

    Mesmo com a possível libertação, Assange diz-se comprometido com a continuidade da divulgação de documentos secretos dos EUA a despeito da condenação deste e de outros países."Minhas convicções são firmes. Continuo fiel aos ideais que expressei. As circunstâncias não irão abalá-los", disse, segundo sua mãe.

    "Esse processo aumentou minha determinação de que as informações são verdadeiras e corretas. Faço um chamado a todo o mundo para que proteja meu trabalho e a minha gente destes ataques ilegais e imorais", completou. O fundador do WikiLeaks e seus advogados afirmam, ainda, temer que promotores dos EUA estejam tentando indiciá-lo por espionagem depois da publicação dos documentos diplomáticos norte-americanos.

    Da web

    02/12/2010

    Descoberto o povo qual Serra dizia trabalhar - Principais doadores da campanha de Serra são do sistema bancário

    A campanha de José Serra (PSDB) à Presidência da República, que arrecadou R$ 120 milhões, contou com contribuições de 29 empresas que doaram, cada uma, mais de R$ 1 milhão, somando R$ 53,63 milhões.

    Os principais doadores da campanha tucana foram o Itaú Unibanco (R$ 4 milhões) e a Alvorada Cartões, Crédito, Financiamento e Investimento (R$ 4 milhões). Também doaram mais de R$ 1 milhão ao candidato tucano: Ambev (R$ 1,8 milhão); Votoner – Votorantim Comércio de Energia (R$ 1,63 milhão); Hypermarcas (1,5 milhão); Leyroz de Caxias Indústria Comércio e Logística (R$ 1,2 milhão); Grendene e Fibra Celulose (R$ 1 milhão cada).

    Segundo o demonstrativo de despesas do comitê financeiro de Serra, os maiores gastos do candidato foram com produção de programas para rádio e TV, serviços prestados por terceiros, despesas com transporte e deslocamento e publicidade em materiais impressos.
     
    Na web

    22/11/2010

    Cruzamento de dados possibilitava fiscalizar sonegação e lavagem de dinheiro

    O objetivo primeiro da CPMF -  ou imposto do cheque, como também era chamada - foi realmente aumentar os recursos da Saúde. Suas verdadeiras natureza e utilidade, no entanto, revelaram-se como instrumento de fiscalização contra a sonegação fiscal e a lavagem de dinheiro, o que era possibilitado pelo cruzamento das movimentações financeiras com as declarações de bens e/ou renda das pessoas físicas, ou de receita e/ou faturamento das empresas.

    Dimensionado esse caráter fiscalizatório da CPMF, o então PFL, agora DEM, e setores empresariais e da classe média paulista mobilizaram-se e organizaram a campanha pela sua extinção. A contribuição não acabou pelo peso que representava ao bolso dos brasileiros, até porque a maior parte da população não pagava o imposto do cheque - mais de 95% da população  estavam isentos de seu pagamento.

    No momento de sua extinção, o governo já havia, inclusive, decidido repassar toda a arrecadação da CPMF para a Saúde nos Estados e municípios - e não mais utilizzar recursos dela para compor o superávit -  e concordado em diminuir a alíquota da contribuição paulatinamente até chegar a 0,08 nos quatro anos seguintes.

    Toda essa proposta chegou, num primeiro momento, chegou a ser aceita pelo PSDB, que depois recuou, aliando-se aos interesses dos grupos que articulavam a derrubada da CPMF.O propósito do governo, então, já era mantê-la apenas como instrumento de fiscalização das movimentações financeiras.

    Exatamente por isso a oposição a extinguiu via Congresso Nacional e retirou, impiedosa e iresponsavelmente, de uma só vez, R$ 40 bi/ao  do orçamento da Saúde.


    Da web 

    09/11/2010

    Irresponsabilidade - Serra faz acusações levianas ao governo Lula

    Por falar no candidato derrotado da oposição ao Planalto, José Serra (PSDB-DEM-PPS) ele deitou falação contra o Brasil e o governo Lula na 6ª feira pp. em palestra para empresários em Biarritz, sul da França, num seminário sobre relações entre a América Latina e a União Europeia (UE).

    O ex-candidato da coligação conservadora acusou o presidente Lula de desindustrializar o país e adotar um "populismo" de direita em matéria econômica. O ex-governador afirmou que o país está "fechado para o exterior" porque passa por um "processo claro de desindustrialização" - um processo que só eles, tucanos veem e que a realidade desmente.


     

    Da web
    Ele criticou, também, os investimentos do governo federal e a alta carga tributária do país. "É um governo populista de direita na área econômica", acusou Serra. Para o tucano, o presidente Lula exerce um "populismo cambial" e não tem um modelo econômico definido.

    "Por que não te calas?!"


    Interessante é que, primeiro, quem praticou populismo cambial com o dólar fixo até se reeleger em 1998 foi o governo dele, FHC/Serra; segundo, o tucano falou tudo isso no seminário na 6ª feira, e a um jornalista da Folha que o acompanhou no vôo Biarritz-Paris no dominglo ele "ensinou": "não é hora de falar de política".

    No seminário, José Serra também comentou as ações brasileiras na política externa, quando acusou o país de se "unir a ditaduras como o Irã". Nesse momento, o tucano foi interrompido por um membro da Fundação Zapata, do México, que gritou "por que não te calas?", provocando um alvoroço na sala e lembrando aquele episódio de meses atrás quando o rei Juan Carlos, da Espanha, usou a mesma expressão em relação ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

    Só faltava essa, hein! Ouvir isto de José Serra, nosso político e personalidade pública que menos autoridade tem para incursionar por essa área hoje, já que a carga tributária era muito mais alta no governo tucano de FHC/Serra do que no do presidente Lula.

    Principalmente, é dose ouvir isso depois da campanha de ódio, medo, reacionária, de extrema direita, exploração de valores e de sentimento religioso que ele assumiu com muito gosto. José Serra decididamente, e depois dessa campanha, não é exatamente a maior autoridade para situar adversários no espectro ideológico.

    23/10/2010

    TEOCRATISMO, BOLINHA DE PAPEL, DEMOCRACIA, SORTE E O DIABO QUE CARREGUE

    Hummm… (bolinha de papel) Deve ser o castigo (Serra) por tentar se equiparar a Cristo, como está nos santinhos que pedem voto para ele. Se fosse em algum país radical, seria enterrado até o pescoço e seria apedrejado até a morte por levar o santo nome de Deus em vão.

    Sorte dele que vivemos em um país democrático, e não teocrático. Ao invés de pedra, levou o papelão, que bem representa o que ele e a corja estão fazendo com esta campanha 2010. Por Luiz Claudio Vieira Lopes


    Anônimo SLEIMAN LEIDE ACHA QUE FANATISMO ESTARIA DO LADO DE SERRA

     

    Um fenômeno interessante a ser observado é a subserviência de muitos religiosos aos seus líderes (falsos), como se estes realmente fossem os representantes de Deus na Terra. Eu assisti ao vídeo "preparado" pelo pastor Paschoal Piragine Júnior, presidente da primeira Igreja Batista de Curitiba.

    Ao final da apresentação, embora eu não tenha visto público algum, ouviam-se muitos aplausos, como a concordarem com o que ele havia dito. Fiquei boquiaberto. Confesso que meus batimentos cardíacos ficaram acelerados, resultado de muita indignação. Ainda continuo apreensivo, porque já ouço pelas ruas boatos que o Partido dos Trabalhadores é a favor de todas aquelas coisas que foram mostradas no Youtube. É de se espantar (a força dos boatos).

    Parece que a antiga fórmula de amedrontar os incautos ainda tem dado certo. Se o PT não partir para o ataque, pode se surpreender no segundo turno.

     

    Por Sleiman Leide

    14/10/2010

    José Serra: Poder e corrupção - A serpente sai do ovo

    Aparelhamento e nepotismo já no primeiro cargo




    Não se sabe exatamente quando o ovo da serpente começou a ser chocado, mas a face mais visível da ganância desmedida de José Serra pelo poder pode ser facilmente constatada a partir dos anos 80.









    Desde então, sua ascensão é uma saga pelo poder cercada por escândalos de corrupção, envolvendo nomes de sócios, parentes, amigos, ex-amigos, tesoureiros e financiadores de campanhas.

    Em 1983, José Serra assume a secretaria estadual de Planejamento de São Paulo, como um novo quadro promissor. Sai em 1986 como um coronel político, capaz das piores práticas.









    Com o poder de indicar e nomear pessoas, Serra aparelhou o Conselho de Administração do BANESPA (onde são decididos os grandes negócios do banco), apoiando a indicação de um parente e sócio: o compadre Gregório Marim Precidado.




    Espanhol, naturalizado brasileiro, Gregório é casado com uma prima de José Serra. Mas as relações entre os dois iam muito além do nepotismo. Serra e Gregório já eram sócios, proprietários de um terreno no bairro nobre do Morumbi, na capital paulista, desde 13 de fevereiro de 1981.



    Gregório ainda aparecerá muitas vezes nesta saga, envolvido em negócios com governos tucanos, através de pessoas ligadas a Serra.



    Entrando no mesmo ramo de negócio de PC Farias



    Em 1986, Serra sai da Secretaria de Planejamento para candidatar-se a deputado federal.


    Em paralelo com a campanha eleitoral naquele ano, abre no dia 10 de março de 1986 a empresa "Consultoria Econômica e Financeira Ltda", entrando no mesmo ramo de atividade (consultoria) que PC Farias viria a exercer mais tarde.


    Como sócio na consultoria, Serra tinha um antigo amigo de militância na Ação Popular: Vladimir Antônio Rioli. A consultoria funcionou até 17 de março de 1995.


    Nos anos seguintes, veremos que Rioli, o consultor sócio de Serra, ocupou cargos de direção no BANESPA e fez diversos empréstimos e operações, junto a Gregório Preciado, Ricardo Sérgio de Oliveira e outros, causando rombos no banco, que o levou à duas condenações na justiça: uma de 4 anos de prisão e outra de 6 anos.

    Rioli, Preciado, e Ricardo Sérgio de Oliveira foram arrecadadores de campanha do PSDB até os anos 90.


    De quadro promissor a coronel político

    A campanha de Serra de 1986 invadiu redutos eleitorais de membros de seu partido (PMDB, na época), com uma campanha milionária, desleal e sem escrúpulos, pisando no pescoço de seus próprios companheiros de partido, para subir no poder às custas da ruína deles.


    Ex-amigos denunciaram que Serra usou a máquina da Secretaria de Planejamento (responsável pelo orçamento, pela liberação de verbas) para corromper políticos de todo o estado a apoiá-lo, além de montar esquemas de financiamento de uma campanha milionária, agindo com as piores práticas do coronelismo político.


    Flávio Bierrenbach, atual ministro do STM, um ex-deputado federal, ex-amigo, atropelado e traído por Serra na época, o descreveu assim:
    - José Serra entrou pobre na Secretaria de Planejamento do Governo Montoro e saiu rico.


    - Ele usa o poder de forma cruel, corrupta e prepotente.


    - Poucos o conhecem. Engana muita gente.

    - Uma ambição sem limites. Uma sede de poder sem nenhum freio. E pelo poder eles são capazes de tudo.

    Da web

    30/09/2010

    DENUNCIA - SERRA TERIA MANDADO MINISTRO OBSTRUIR O JULGAMENTO CONTRA OBRIGATORIEDADE DA APRESSENTAÇÃO DE DOIS DOCUMENTOS PARA VOTAR



    Segundo fonte após receber uma ligação do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes interrompeu o julgamento de um recurso do PT contra a obrigatoriedade de apresentação dos dois documentos na hora de votar.


    Serra pediu que um assessor telefonasse para Mendes pouco antes das 14h, depois de participar de um encontro com representantes de servidores públicos em São Paulo.


    A solicitação foi testemunhada pela Folha.


    No fim da tarde, Mendes pediu vista (mais prazo para análise), adiando o julgamento. Sete ministros já haviam votado pela exigência de apresentação de apenas um documento com foto, descartando a necessidade do título de eleitor.

    A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos é apontada por tucanos como um fator a favor de Serra e contra sua adversária, Dilma Rousseff (PT). A petista tem o dobro da intenção de votos de Serra entre os eleitores com menos escolaridade.A lei foi aprovada com apoio do PT e depois sancionada por Lula, sem vetos.


    "MEU PRESIDENTE"


    Ontem, após pedir que o assessor ligasse para o ministro, Serra recebeu um celular das mãos de um ajudante de ordens, que o informou que Mendes estava na linha.Ao telefone, Serra cumprimentou o interlocutor como "meu presidente". Durante a conversa, caminhou pelo auditório. Após desligar, brincou com os jornalistas: "O que estão xeretando?"


    Depois, por meio de suas assessorias, Serra e Mendes negaram a existência da conversa.Para tucanos, a exigência da apresentação de dois documentos pode aumentar a abstenção nas faixas de menor escolaridade.Temendo o impacto sobre essa fatia do eleitorado, o PT entrou com a ação pedindo a derrubada da exigência.


    O resultado do julgamento já está praticamente definido, mas o seu final depende agora de Mendes.Se o Supremo não julgar a ação a tempo das eleições, no próximo domingo, continuará valendo a exigência.
    À Folha, o ministro disse que pretende apresentar seu voto na sessão de hoje.


    CONSENSO


    Antes da interrupção, foi consenso entro os ministros que votaram que o eleitor não pode ser proibido de votar pelo fato de não possuir ou ter perdido o título.
    Votaram assim a relatora da ação, ministra Ellen Gracie, e os colegas José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello.


    Para eles, o título, por si só, não garante que não ocorram fraudes. Argumentam ainda que os dados do eleitor já estão presentes, tanto na sessão, quanto na urna em que ele vota, sendo suficiente apenas a apresentação do documento com foto."A apresentação do título não é tão indispensável quanto a do documento com foto", disse Ellen Gracie.


    O ministro Marco Aurélio afirmou que ele próprio teve de confirmar se tinha seu título de eleitor. "Procurei em minha residência o meu título", disse. "Felizmente, sou minimamente organizado."


    A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos foi definida em setembro de 2009, quando o Congresso Nacional aprovou uma minirreforma eleitoral.O PT resolveu entrar com a ação direta de inconstitucionalidade semana passada por temer que a nova exigência provoque aumento nas abstenções.
    O advogado do PT, José Gerardo Grossi, afirmou que a exigência de dois documentos para o voto é um "excesso". "Parece que já temos um sistema suficientemente seguro para que se exija mais segurança", disse.Na Folha dos tucanos


    Na web

    23/09/2010

    ELEIÇÕES 2010 - A ÚLTIMA LUTA CONTRA A DITADURA

    A julgar pelos editoriais, a imprensa brasileira se acha uma vítima trêmula e indefesa, pronta para ser devorada pelo bicho papão totalitário. Claro que há o constrangimento de ter apoiado a ditadura, contra o mesmo bicho papão, mas se ele (o papão) não existia antes e mesmo assim justificou-se um golpe de Estado, não é tão difícil inventar novamente o mesmo inimigo; dessa vez não exatamente para dar um golpe, mas algo mais fácil, como queimar um candidato e eleger outro. Considerando que esses jornais transformaram-se em poderosos conglomerados econômicos à sombra do regime militar, pode-se especular que nossa batalha contra os desmandos desses grupos consiste na última luta dos brasileiros contra o fascismo que pendurou nossa liberdade e nossas esperanças, por vinte longos anos, num pau de arara.

    Como empresas privadas, os jornais têm liberdade para defender ou atacar seja quem for, mas a Constituição ficaria grata se evitassem desrespeitar o direito dos indivíduos à honra e à privacidade e, sobretudo, se se esforçassem em conter seus ódios pessoais e tratassem as instituições democráticas e seus representantes com um mínimo de decoro e respeito. Não pedimos isenção. Ao contrário, pedimos honestidade em declarar sua preferência partidária, como fazem os jornais norte-americanos, o que ajudaria os leitores a separar notícia de opinião e entender melhor o que estão lendo.

    Conhecemos a imprensa de outros países e francamente não observamos em lugar nenhum do mundo (com exceção dos EUA, onde imprensa deixa bem claro de que lado está) um engajamento partidário tão enlouquecido e agressivo como vemos no Brasil.

    A imprensa de fato tornou-se um quarto poder, mas à diferença dos outros poderes, goza de uma liberdade quase selvagem. Pode incentivar as pessoas a tomarem remédios que não precisam, espalhar informações falsas sobre partidos, destruir a reputação de inocentes, pressionar juízes a emitir ordens de prisão (ou de habeas corpus), desestabilizar governos… E quando setores da sociedade, como as associações de medicina, por exemplo, iniciam debates para criar leis que regulamentem o uso de informações sobre saúde, os grupos de mídia não apenas se recusam a dialogar como lançam pesadas acusações contra os que desejam o debate. Eles se pretendem intocáveis. A liberdade de imprensa converte-se, portanto, em objeto de luxo de uso exclusivo de meia dúzia de proprietários de jornais e tv.

    Não temos ilusão quanto aos defeitos de nossa classe política e seus representantes, mas também não nos iludimos quanto à perseguição seletiva praticada por uma imprensa desde sempre identificada com ideais conservadores – e portanto com os partidos afinados com esses ideais.

    Protestamos, em suma, contra hábitos sinistros que estão se arraigando em nossa imprensa, como fazer acusações sem provas e prejulgar pessoas e instituições de maneira açodada, desrespeitando o princípio da presunção da inocência. Com seu poder, a mídia consegue intimidar inclusive juízes, produzindo outra aberração contra a democracia, que é obstruir o direito de todo cidadão ou empresa de ter um julgamento isento e livre, longe das paixões políticas.

    Protestamos, principalmente, contra a tentativa de interferir no processo eleitoral, através da criação de factóides que vão parar diretamente, às vezes no mesmo dia, na página de alguns candidatos. Denúncias devem ser feitas, claro, mas embasadas num mínimo de provas e fundamentos lógicos. Os escândalos que pipocam não nascem da intenção louvável de aprimorar o funcionamento da máquina pública, e sim do desejo mal disfarçado de produzir estragos políticos no adversário da vez.

    Enfim, quando vemos a mídia engajada em campanhas partidárias, e ainda lançando suspeitas de que há forças querendo censurá-la ou silenciá-la (o que é mentira); e, para culminar, participando de seminários no Clube Militar, como o que deverá acontecer dia 23 de setembro deste ano, intitulado “Democracia Ameaçada”, muitos cidadãos começam a se questionar, preocupados, se haveria alguém imaginando um golpe, seja um violento, com uso de armas, seja um “pacífico”, como fizeram em Honduras no ano passado, onde o presidente eleito, após decisão do Supremo Tribunal Federal (convertido assim num poder quase monárquico, acima da soberania popular), foi preso pelo exército e conduzido para fora do país. Todos, incluindo o golpe contra Chávez, em 2002, tem algo em comum: a cumplicidade entre oposição conservadora e corporações midiáticas.

    Falamos apenas dos jornais. Quanto à mídia televisiva, os fatos são muito mais graves, porque são concessionárias de serviço público, e há leis que proibem a veiculação de material entendido como propaganda partidária.

    Quando chamamos a imprensa de golpista, portanto, referimo-nos não só a seu papel fundamental na preparação do golpe de 64 e na consolidação política do regime militar, como também no esforço constante, até hoje, para derrubar ou eleger governantes a partir de artifícios nada éticos de manipulação da notícia.

    Reiteramos nosso apreço pela liberdade de imprensa e de expressão, mas observamos que estas liberdades não são direitos exclusivos dos donos de jornal: elas também valem para o leitor, que não deve ser enganado; e para o jornalista, que deve ter direito a trabalhar sem se submeter aos caprichos ideológicos do patrão.

    Por fim, convidamos a todos a se libertarem do vício triste de pensar com a cabeça alheia, e a conhecerem a blogosfera política, onde se trata a informação com muito mais profundidade: ela é verificada, checada, conferida novamente, revirada de todos os lados, discutida, rechaçada, e de novo aceita; e onde, principalmente, respeita-se a inteligência do leitor e procura-se fazer com que ele a use efetivamente, pensando politicamente por si mesmo.

    Somos os representantes da edição fluminense de uma articulação nacional, os Blogueiros Progressistas, ou seja, de esquerda, e nossa luta mais importante, nas últimas semanas, tem sido desmontar as manipulações midiáticas que visam confundir e influenciar o eleitorado, deturpando a vontade popular.

    Por Miguel do Rosário

    Quase 10 milhões de brasileiros acessaram Blogs em 2007

    Quase 10 milhões de pessoas acessaram e leram blogs no Brasil, de acordo com dados do Ibope/NetRatings de dezembro de 2007, o que representa 45% do número de internautas ativos no mês.

    Para ser mais exato: 9,6 milhões de pessoas acessaram blogs, majoritariamente os que usam as ferramentas de publicação Blogger e Wordpress. Boa notícia? Depende do ângulo que você analise.

    Para se ter uma idéia, em dezembro de 2006, aproximadamente 7 milhões de pessoas acessavam blogs na internet brasileira de suas casas. Em um ano, a expansão é de 37%. É um senhor crescimento, embora não seja um espetáculo.

    Comparando com o crescimento do número de internautas ativos no mesmo período, o número de pessoas que acessam blogs foi menor. O número de internautas ativos cresceu 49% em 2007, atingido 20,4 milhões de pessoas.

    Destaque, diz o Ibope, para as ferramentas Blogger que atingiu 33% das pessoas que acessaram a internet em dezembro (há um ano, 20%) e para o Wordpress, com 13% (há um ano, 3,4%).

    “Houve o crescimento exuberante da internet residencial, com novas pessoas trazendo novos hábitos de navegação”, avalia José Calazans, analista de mídia do Ibope/NetRatings.

    Para se ter uma idéia, o Brasil cresceu, em número de internautas mensais, mais do que os Estados Unidos (2,2%), França (14%), Espanha (11%) e Japão (8,5%).

    Em números absolutos, o Brasil ganhou novos 7 milhões de usuários residenciais mensais, enquanto EUA ganharam 4,8 milhões, França, 4,5 milhões, Japão, 5,5 milhões e Espanha, 3 milhões.

    “Boa parte dos novos usuários, com destaque para os adolescentes, provavelmente navegavam em Lan Houses e, com tempo limitado, tinham uma navegação mais objetiva, consultando e-mail e atualizando perfis em comunidades”, acredita Calazans.

    Além disso, outra grande parte dos novos usuários, que são os perfis que mais cresceram, são crianças e idosos, que são justamente as pessoas que menos fazem uso de buscadores e portanto acabam caindo menos em blogs.

    Fonte: Fenadados